Roof
RW.21
LXFactory, Lisbon

← Back to Projects

The words LISBOAFRICA by José Eduardo Agualusa, Angolean writer and journalist, were applied to the roof of the LX Factory in Lisbon in collaboration with the Dutch art organization “NOORDKAAP”. His message refers to the Portuguese language’s cultural roots in Africa, as well as in South America and Europe.

Installed | Location | GPS: 06-09-2012 | LXFactory, Lisbon, Portugal | 38.7028325-9.1785145
Author | Words | Curator: José Eduardo Agualusa | LISBOAFRICA | Noordkaap Foundation
Roof Size | Font Size: 900 qm | 6m x 70m
On Air: –  

 

 

 


Interview

Lissboafrica  |  Jose Eduardo Agualusa, LX Factory Lisbon 2012

 

“I dream of the day on which border policemen begin to build bridges.”

REMOTEWORDS: In your book “Barroco Tropical” you talk of the Portuguese language as a “collective construction of all those who speak it, and from the beginning these were also the Africans. Long before the Portuguese colonized Africa, Africans had already crossed the Mediterranean and settled on the Iberian Peninsula.” Can you tell us more about the roots and development of the Portuguese and about the migration between Africa, Europe and South America?

José Eduardo Agualusa: The Portuguese language is a collective construction of all the various peoples who speak it, and it is true that, from the beginning, a large segment of it was of African origin. At first it was the Arabs and Africans—above all from regions that are today occupied by Morocco—who remained on the Iberian Peninsula for over 800 years. The Portuguese language absorbed many hundreds of Arabic words.

Later, with the arrival in Portugal of African slaves and with Portuguese travelers, many other words of different origin were added, especially from Bantu, Kimbundu and Kikongo, all languages from Angola. The Portuguese language likewise integrated many words from Brazil’s indigenous languages. This process is still taking place. In Angola or Mosambik [Mozambique], many people speaking African languages go on to Portuguese. As they do so, they transform the Portuguese language, not only by enriching the vocabulary with new words but also with a different sentence structure. The large African community in Lisbon and the success of African rhythms and music groups of African origin help explain the fact that, over the past years, young Portuguese have appropriated many terms from Angolan Portuguese. It is a dynamic and horizontal process that today no longer perceives any distinction between ruler and the ruled. It is a democratic and open interchange in which all speakers take part.

REMOTEWORDS: With “Lisboafrica” you have already coined a phonetically melodious word out of “Africa” and “Lisbon”. In one of your books I learned that you like to “dig up old words”. But apparently you also like to create new words. Is this a feature of a living language and what inspired you to LISBOAFRICA?

José Eduardo Agualusa: Yes, I not only love to reestablish words no longer used but also to create neologisms. And incidentally, the Portuguese language is good at this game. This explains the great popularity—not only in Africa and Portugal, but also in Brazil—of the Mozambique writer Mia Couto, whose earlier books contain hundreds of new words. Or of the Brazilian poet Manoel de Barros.

Lisboafrica sounds good; the word shows the deep tie between Africa and the Portuguese capital. And even more, it is also a pun, since “boa África” also means “good Africa”. It expresses the idea of a happy Africa in Lisbon.

REMOTEWORDS: What I very much like about your statement is that you “bring Africa to Portugal” or, in other words, Africa to Europe. Travel within the EU, meanwhile, is mostly not a problem, but the borders to Africa and the Near East are getting ever tighter. Would you, a traveler between three continents, argue for a world community instead of a European community?

José Eduardo Agualusa: Yes, I fight all borders, all forms of separating people from each other or from the world around them. Borders are stupid. I dream of a world in which all people, all creatures, can move around freely. I dream of the day on which border policemen begin to build bridges.

„Sonho com o dia em que os polícias de fronteiras passem a construir pontes.“

REMOTEWORDS: Neste livro, “Barroco Tropical”, falas acerca da língua portuguesa enquanto “construção coletiva de todos os que a falam, e que, no princípio, eram também os africanos. Mesmo antes de os portugueses colonizarem África, os africanos já tinham atravessado o Mediterrâneo e já se tinham instalado na Península Ibérica.” Podes dizer-nos mais qualquer coisa acerca das raízes e do desenvolvimento do português e da migração entre África, Europa e América do Sul?

José Eduardo Agualusa: A língua portuguesa é uma construção colectiva de todos os povos que a falam e é verdade que teve, desde o ínicio, larga contribuição africana. Primeiro foram os árabes, africanos, vindos sobretudo dos territórios hoje ocupados por Marrocos, os quais permaneceram na península ibérica por mais de oitocentos anos. A língua portuguesa incorpou muitas centenas de vocábulos árabes. Mais tarde, com a chegada de escravos negros ao território português, e com as viagens dos portugueses, chegaram muitos outros vocávulos de origem bantu, em particular do quimbundo e do quicongo – línguas angolanas. O português incorporou ainda muitas dezenas de vocábulas de línguas indígenas do Brasil. Esse processo prossegue nos dias de hoje. Em Angola ou Moçambique muitas pessoas chegam à língua portuguesa vindas de idiomas africanos. Elas transformam o português, não apenas enriquecendo-o com palavras novas, mas transportando para a língua outras síntaxes. A presença de uma forte comunidade africana em Lisboa, e o sucesso dos ritmos de matriz africana, e dos grupos musicais de origem africana, explicam que a juventude portuguesa tenha vindo a integrar, nos últimos anos, muitos termos do português angolano. Trata-se, pois, de um processo dinâmico e horizontal, no qual, hoje em dia, não existe mais uma relação de dominador – dominado. É um trânsito democrático, aberto, do qual todos os falantes participam.

REMOTEWORDS: Com “Lisboafrica” criaste uma palavra nova – que soa bem do ponto de vista fonético – composta de “África” e “Lisboa”. Descobri, num dos teus livros, que gostas de “desenterrar palavras antigas”. Mas, ao que parece, também gostas de criar palavras novas. Isto faz parte de uma língua viva e o que te inspirou a criar LISBOAFRICA?

José Eduardo Agualusa: Sim, gosto tanto de recuperar termos em desuso, alguns deles belíssimos, como de criar neologismos. A língua portuguesa, de resto, aceita muito bem esses jogos. Isso explica a enorme popularidade, quer em África, quer em Portugal e no Brasil, do escritor moçambicano Mia Couto, cujos primeiros livros incluem centenas de neologismos. Ou do poeta brasileiro Manoel de Barros. Lisboafrica soa bem, expõe a ligação profunda de África à capital portuguesa. Por outro lado, há também um jogo de palavras, pois “boa África”, tem o sentido de boa África – induz a ideia de uma África feliz em Lisboa.

REMOTEWORDS: O que me agrada especialmente no teu depoimento é tu “trazeres África para Portugal” ou, por outras palavras, trazeres África para a Europa. Viajar dentro da UE passou a fazer-se praticamente sem problemas, mas as fronteiras com África e o Médio Oriente tornam-se cada vez mais fechadas. Enquanto viajante entre três continentes, serias a favor de uma “Comunidade Mundial” em vez de uma “Comunidade Europeia”?

José Eduardo Agualusa: Sim, o meu combate é contra todas as fronteiras, todas as formas de separar a humanidade de si mesma, ou do mundo à sua volta. Fronteiras são estúpidas. Sonho com um mundo onde todas as pessoas, todos os seres vivos, possam transitar livremente. Sonho com o dia em que os polícias de fronteiras passem a construir pontes.

„Ich träume von dem Tag an dem die Grenzpolizisten beginnen, Brücken zu bauen.“

REMOTEWORDS: In deinem Buch “Barroco Tropical” sprichst du von der portugiesischen Sprache als “kollektiver Konstruktion all derer, die sie sprechen, und das waren von Anfang an auch Afrikaner. Schon lange bevor die Portugiesen Afrika kolonisierten, hatten Afrikaner bereits das Mittelmeer überquert und sich auf der iberischen Halbinsel niedergelassen.“ (1) Kannst du uns etwas mehr erzählen über die Wurzeln und Entwicklung des Portugiesischen und der Migration zwischen Afrika, Europa und Südamerika?

José Eduardo Agualusa: Die portugiesische Sprache ist eine kollektive Konstruktion aller Völker, die sie sprechen. Und von Anfang an war ein großer Beitrag afrikanischen Ursprungs. Zunächst waren es die Araber, Afrikaner – vor allem aus Gebieten, die heute von Marokko besetzt sind – die auf der Iberischen Halbinsel für mehr als 800 Jahre blieben. Die portugiesische Sprache nahm viele Hunderte von arabischen Wörtern auf.
Später, mit der Ankunft der afrikanischen Sklaven in Portugal, und mit den Reisen der Portugiesen, kamen vielen andere Wörter verschiedener Herkunft hinzu, insbesondere des Bantu, Kimbundu und Kikongo, also Sprachen aus Angola. Die portugiesische Sprache integrierte ebenfalls viele Wörter der indigenen Sprachen Brasiliens. Dieser Prozess setzt sich heutzutage noch fort. In Angola oder Mosambik kommen durch die Menschen viele Einflüsse von den afrikanischen Sprachen ins Portugiesische. Sie verwandeln die portugiesische Sprache, nicht nur durch Anreicherung mit neuen Worten, sondern auch mit einem anderen Satzbau. Die große afrikanische Gemeinschaft in Lissabon und der Erfolg von afrikanischen Rhythmen und Musikgruppen afrikanischen Ursprungs erklären die Tatsache, dass die portugiesische Jugend in den letzten Jahren viele Begriffe aus dem angolanischen Portugiesisch aufgenommen hat. Es ist daher ein dynamischer und horizontaler Prozess, der heutzutage nicht mehr die Beziehung zwischen Herrschern und Beherrschten kennt. Es ist ein demokratischer, offener Tauschprozess, an dem alle Sprecher teilnehmen.

REMOTEWORDS: Mit „Lisbaoafrica“ hast du ein neues – phonetisch wohlklingendes – Wort aus “Afrika” und Lissabon” geprägt. In einem deiner Bücher habe ich erfahren, dass du gerne “alte Worte ausgräbst”. Anscheinend liebst du es aber auch neue Worte zu kreieren. Ist dies Teil einer lebendigen Sprache und was hat dich zu LISBOAFRICA inspiriert?

José Eduardo Agualusa: Ja, ich liebe es, sowohl nicht gebrauchte Wörter wiederzubeleben, als auch Neologismen zu finden. Die portugiesische Sprache nimmt im Übrigen diese Spiele sehr gut auf. Dies erklärt die große Beliebtheit, des mosambikanischen Schriftstellers Mia Couto, nicht nur in Afrika, sondern auch in Portugal und in Brasilien, Seine Bücher beinhalten Hunderte von Neologismen. Beispielsweise auch die des brasilianischen Dichters Manoel de Barros.Lisboafrica klingt gut, das Wort verdeutlicht die tiefe Verbindung zwischen Afrika und der portugiesischen Hauptstadt. Darüber hinaus ergibt es auch ein Wortspiel, da „boa África“ auch „gutes Afrika“ bedeutet – es vermittelt die Idee eines glücklichen Afrikas in Lissabon.

REMOTEWORDS: Was mir sehr an deinem Statement gefällt, ist, dass du „Afrika nach Portugal bringst“ oder anders gesagt Afrika nach Europa. Das Reisen innerhalb der EU ist ja mittlerweile meistens problemlos, aber die Grenzen nach Afrika und dem nahen Osten werden im dichter. Würdest Du – als Reisender zwischen drei Kontinenten – eher für eine „Welt Gemeinschaft“ statt einer „Europäischen Gemeinschaft “ plädieren?

José Eduardo Agualusa: Ja, ich kämpfe gegen alle Grenzen, gegen alle Formen der Trennung der Menschheit von sich selbst, oder von der Welt um sie herum. Grenzen sind dumm. Ich träume von einer Welt, in der alle Menschen, alle Lebewesen, sich frei bewegen können. Ich träume von dem Tag an dem die Grenzpolizisten beginnen, Brücken zu bauen.

 1| José Eduardo Agualusa: Barroca Tropical, A1 Verlag, München 2011

  • Filed under: Roofs